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  • Larissa Ferraro

CONSIDERAÇÕES SOBRE SEXO ORAL



Eu tenho visitado muitas igrejas para falar do Livro Mulheres e Sexo: Mentiras que Escravizam e Verdades Bíblicas que Libertam. Nessas visitas, programo mais ou menos meia hora de palestra e o restante do tempo deixo para responder perguntas. As igrejas que visito variam de Pentecostais a Batistas Regulares. Porém, apesar da grande diferença doutrinária, quando o assunto é sexo, as dúvidas são muito semelhantes. Posso afirmar que em todos os locais que fui dar estudo sobre a visão bíblica do sexo, alguém perguntou sobre sexo anal.


A Bíblia não tem mandamentos específicos sobre formas de um casal, casado, se relacionar sexualmente. Mas, existem princípios que devem guiar a vida dos cristãos e se aplicam também ao relacionamento sexual. Os cristãos devem amar uns aos outros. Jesus disse que essa seria uma marca distinta dos seus seguidores, o amor uns pelos outros (Jo 13.35).


O amor não é somente sentimento. O amor como Deus ensinou é ação, comportamento, atitude em benefício do outro. Deus amou o mundo, entregando seu filho para pagar pelos nossos pecados (Jo 3.16). Ele foi sacrificado em benefício dos que creriam em seu nome. Então, amar é focar no outro. Pensar no bem-estar do outro, inclusive no relacionamento sexual.


O amor não humilha, não maltrata, não machuca. Por isso, qualquer prática que faça essas coisas, não deveria fazer parte do leito conjugal dos cristãos. É o caso do sexo anal. No livro, eu explico isso com mais detalhes. Meu foco aqui é falar sobre o sexo oral, que penso ser um pouco diferente.


Lembro de ouvir o pastor John Piper falando sobre esse assunto e gostar bastante de sua abordagem. Recentemente, lendo um livro americano[1] bastante antigo, encontrei o pensamento similar ao de Piper. Vou compartilhar aqui o que o autor escreveu:


"Salomão em Cântico dos Cânticos aponta continuamente ao deleite que tem no corpo de sua amada. Em um dos trechos do livro, a mulher diz, "Desperte, vento norte, e venha, vento sul! Soprem no meu jardim, para que se derramem os seus aromas. Que o meu amado venha ao seu jardim e coma os seus frutos excelentes!" (Ct 4.16). No verso seguinte o rei Salomão diz, "Já entrei no meu jardim, meu amor, minha noiva. Colhi a minha mirra com as especiarias, comi o meu favo com o mel, bebi o meu vinho com o leite." (Ct 5.1). Sua amada responde, "Comam e bebam, meus amigos; até ficarem embriagados de amor." Muitas referências falam das delícias orais e de deleitar-se no corpo todo do cônjuge. Todas as partes são mencionadas: cabelos, lábios, pescoço, seios, barriga, pernas, pés. Os cônjuges geralmente se referem aos órgãos genitais como "seu jardim". O livro fala do envolvimento do corpo todo. Para alguns de nós esse envolvimento parece estranho, fora do comum, ou não natural. (...)

Pensando sobre o uso de nossa boca para dar ou obter prazer, existem três perguntas que as pessoas fazem. Primeira, isso é natural? Segunda, isso é correto? Terceira, isso é higiênico?

Muitas vezes a ideia sobre o que é natural está baseada na experiência pessoal de alguém, que pode não ser a mesma ideia para outras pessoas. Mas como podemos determinar de forma objetiva o que é natural? A Bíblia restringe o sexo ao casamento, mas dentro do casamento, não apresenta orientações específicas.

Em minha perspectiva, sexo oral se torna não natural se o cônjuge se sente violado com isso. Isso pode ser comparado à preocupação de Paulo em não ofender o irmão em Romanos 14. A ofensa seria em violar a consciência do irmão e não no ato em si. Dessa forma, considerar sexo oral natural ou não, caberia ao casal.

É correto? Consideramos a Bíblia como nossa referência. Nela não há mandamentos específicos sobre o que um casal casado pode fazer dentro do relacionamento sexual. Nesse ponto, devemos olhar para princípios que poderiam nos guiar. O princípio de amar e cuidar do outro precisa ser aplicado nessa questão. Mas da mesma forma, o princípio de que o corpo pertence ao cônjuge precisa ser incorporado nessa história.

Uma coisa que precisamos ter cuidado é que muitas pessoas usam argumentos morais ou cristãos para defender posições que são pessoais. (...) Geralmente, esses argumentos funcionam como uma arma de defesa para não lidarem com áreas problemáticas de suas vidas.

A última pergunta é em relação à higiene. Na área genital existem três tipos de sistemas: estéril, limpo e contaminado. O sistema urinário é estéril, ou seja, livre de microrganismos. O sistema reprodutor, que inclui pênis e vagina, é limpo. Se não houver nenhum tipo de doença. Finalmente, o ânus e a boca são sistemas contaminados de microrganismos. Então, a boca não pode ser contaminada pelos órgãos sexuais, somente o contrário. (...) Espero que com esses fatos, você sinta a liberdade de discutir com seu cônjuge o que acredita sobre esse assunto."


Concordo com a linha de raciocínio do autor. Não podemos afirmar que algo é pecado só porque não queremos fazer. A comunicação do casal de Cantares nos mostra liberdade em usufruir o corpo do cônjuge. Isso está na Bíblia e deve ser levado em consideração tanto quanto qualquer mandamento. Nesse assunto, como em muitos outros na vida cristã, Deus se importa com o que está em nosso coração, não somente nossos comportamentos. Um casal pode se relacionar sexualmente somente na cama, de luz apagada e estar cheio de pecados em suas mentes. Não é o ato em si, mas o que está em seu coração (Pv 4.23).


De qualquer forma, se um dos dois cônjuges não gosta ou acredita que certa prática é pecado, ela não deveria fazer parte do leito conjugal desse casal. Isso baseado no princípio de amar ao cônjuge e também no princípio de não violar a consciência de nenhum dos dois.

Espero ter ajudado você a analisar o assunto biblicamente. O relacionamento sexual é um presente de Deus para o casamento. Em Cristo, temos a liberdade de nos deleitar com nosso marido para glória de Deus e isso é tão santo como orar ou ler a Bíblia.


"Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém." Rm 11.36


[1] Penner, Clifford. The Gift of Sex: A Christian Guide to Sexual Fulfillment. Waco, Texas: 1981.

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